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09 dezembro 2016

Abertura | Intenção franca de impregnar-se de Vida


Berlindes cintilantes brilham como esferas de luz que inspiram a prosseguir caminho, sempre que nos lançamos na abertura do nosso coração. De coração aberto a Vida toma-nos e impregna cada célula, inspirando sonhos e expirando manifestação. Universos inteiros eclodem da franca intenção de nos entregarmos a Viver.
Hora de partida. Hora de chegada. No Aqui, e no Agora. Assim simples.

20 fevereiro 2014

casa dos espíritos



Escrevo em homenagem a essa casa dos espíritos que habitamos. Chamamos-lhe corpo, receptáculo, veículo divino.. abarca sonhos e pesadelos, céus estrelados e tempestades. É uma casa de sombras, de memórias, de paisagens emocionais, que vertemos em sorriso ou em lágrimas, mas que guarda e esconde muito mais do que revela.

Os nossos medos decoram as suas paredes, nas molduras vazias das razões que os alimentam. Esperanças e fantasias velam as janelas que filtram a luz, e modelam as emoções. Vagueiam nela hologramas de seres amados. Entes ancestrais, fantasmas de família, espectros de amados que perdemos, ou que vivos nos assombram.
E o medo maior é de quem ouse visitar esse lugar de escombros e tristeza e ouse enchê-lo de alegria e amor. Medo de revelar o caminho por percorrer ou o rosto por lavar. 
O que aconteceria se ousássemos abrir a porta e deixar o vento varrer a poeira das quimeras que pairam?
Ou o Sol entrar e inflamar a densidade, iluminar sonhos, dissolver na luz, apegos?
Vivemos numa casa estaganada. Prisão de contos felizes e de histórias de assombrar, de filmes mentais que passamos em contínuo e aos quais nos apegamos pela aparente segurança do que são, e pelo medo de descobrirmos o que somos para além deles.
Somos vizinhos em casas de espiritos, e gostamos pouco de receber visitas. Ficamos em alerta quando os loucos da vida e do coração esquecem que existem muralhas, sinais de proibido, e delicadamente abrem a porta desse lugar.

29 junho 2013

no jardim

hoje fiz praia num banco de jardim
e o meu mar foi o céu azul profundo
onde mergulhei os meus sonhos
na brisa quente, ondulante, de verdes folhas de plátano

hoje fiz praia num banco de jardim
e o sol repousou no meu peito
ao som de blues de casa alheia
com o corpo entregue à relva
e o aroma estival no coração

28 abril 2013

a piacere

 entrelaçadas estas asas
que sabem o caminho do voo
que não ousaram percorrer

o corpo crepita 
sabe
anseia
por essa liberdade
sem medida

pequenas palavras
pequenas vontades
doces ilusões
prestes a desvanecerem

é curto
imediato 
o salto
da dúvida 
para a certeza incerta
de que é o trilho certo
quando se percorre
de olhos cerrados

uma dança do vento
estive aí algures no tempo
algures num sonho
do impossíveis
que agora manifesto

no fluir
da semente
que rebenta
que emerge
que arroja Ser
solta-se pelo prazer
a melodia,
a harmónica
beleza
de um sonho realizado

27 março 2013

serendipidade

deslizo na barca alva e suave
fluindo com cada curva deste rio em alma

corre chuva pelos olhos fechados, confiantes
na sabedoria de cada gota que banha o ser

recolho os remos, retiro as âncoras
e liberto-me on the flow,
on the blow of the wind

e na beleza de uma queda d'água
e resisto ao medo de me deixar ir,
de me deixar cair...
e toldo-me no espanto,
na supresa de cair de pé, 
de volta a essa barca da vida
que devolve uma pérola de coragem
com pétalas de bênçãos.

serendipity, serendipidade,
vela dos acasos,
véus da sincronicidade que se revelam,
no coração que confia
no rumo terno, desconhecido,
mas feliz,
dessa barca do amor 
e da alegria

a vida é deliciosa e delicadamente generosa

25 janeiro 2013

jardim



Sei de um jardim
Silencioso, terno, imenso
Onde os passos se perdem numa íntima melodia
E o corpo cede espaço à Essência
Sentindo-a vibrar a cada nota
Libertando as máscaras e os freios
Sendo una numa dança,
Em acordes de aurora,
Em linhas douradas que escrevem
Esse som inaudível das pétalas
Que vertem do coração ligeiras como sorrisos,
E árduas como lágrimas do ego sucumbido,
Nos vertiginosos instantes
Em que rodopia.

E todos os medos se dissolvem
Ébrios, leves, diáfanos
Como chuva que se funde
Em gotas perfumadas e radiosas,
E neste lugar finda o desejo de fugir,
E como numa valsa dócil,
Que ondula, e sacode suave e rítmica,
A voz da mente deseja pousar o seu poder,
Na calma e harmónica energia
De estar em si.

É que aqui, é aqui
É aqui que as causas se dissipam,
É aqui que as tormentas e os prazeres,
Os apegos e as paixões,
As ilusões e as desilusões,
E as histórias sem propósito se recolhem.

E é nesta intensidade simples e límpida
Neste instante, agora,
Que se contemplam as doces sementes da compaixão,
E se toca o ameno âmago da consciência,
Que revela o fragrante e humilde botão do Ser,
E a vontade pura de ficar,
De saber que está no seu lugar.
É neste jardim…


17 julho 2012

coerência

 com o tempo
- sábio saturno -
aprendo que o maior desafio
é ser autêntica 
em desvelar
aquilo que sinto

e que a maturidade
é um estado de coerência
e harmonia,
entre o interior 
e o exterior

tantas lágrimas por chorar
tantos mais sorrisos por abrir

01 junho 2012

pétalas de jacarandá

 ontem
a brisa enrolava as pétalas
que num tapete violeta
sopravam um sonho
dissolvendo-o em tragos
de fumo e de cor, perdidos
 no medo de me deixar ir
no medo de me entregar
no medo de me magoar
no medo de dar em vão
...

o medo é a escolha certa
para manifestar o que não se quer
marejar de olhos embaciados
.....

agora
são estames dourados
brilho de flor
rolam, voam, flutuam
metarmofoseiam-se
numa luz nova
lançando o ânimo de Ver
o fresco
...
prefiro ter medo de dias felizes
medo de rodopiar
medo de me sentir leve
medo da alegria
...
e permitir que sejam estes
os medos
que se soltam em cristalinos lilás
da singela gruta
do meu coração

14 maio 2012

essência Mailinii

 as minhas lágrimas são sempre cheias
tanto quanto aberto é o meu sorriso

aperto a mão quando toco
e perco-me no teu Ser quando te abraço

ouso amar apaixonadamente a Vida
e sou na inocência 
sincera no revelo

no ecoar fértil da verdade
apenas velo levemente o meu sentir
para que um toque, não toque de demais
e uma palavra menos doce
não desfaça a minha sensível confiança

sou na essência tímida e autêntica
e comovo-me com a simplicidade 
e o brilho puro da tua Alma

25 abril 2012

espanto

 chove
e ainda assim só vejo gotas de vida
lágrimas cintilantes de nuvens oníricas
que presenteiam o solo
com promessas de abundância

oiço 
este som que reconheço rítmico
a vibrar persistente no meu peito
e nos olhos cerrados sinto
o espanto,
a ingenuidade,
e a certeza de que os homens voam,
as fadas existem,
e amanhã será um dia melhor,
porque hoje já o é.

23 março 2012

uma ode à Primavera

 Primavera águas mil,
em vez de andar dançava os passos que tomo da rua,
escorrega de mim o movimento,
quando deixo o corpo ser a música,
acto que verte a graça e a doçura,
gotas, pétalas, luz dourada em golfadas,
torrente que tomo,
rio em que fluo e deixo fluir.

e estas couraças singelas
quebram-se ao murmúrio,
vento benfazejo,
ar de palavra, no fogo do amor forjada
cinzas, húmus, semente sadia,
broto viçoso, promessa
do agora revelada.

tranquilo o mito,
dissolve-se na taça que se esvazia,
louvor ao Tempo,
de ter e ser fé de criança.
olhos mergulhados na inocência
de um toque, de um gesto,
de uma flor que se colhe,
e recolhe,
no mundo de histórias,
de contos,
de uma mais
Primavera.

12 março 2012

consciência pele

 consciente,
desenham-se palavras
no livro do corpo,
que iluminam recantos,
e a textura suave da pele.

a flor do entendimento
desabrocha,
e as suas fragrantes pétalas,
dissolvem a ignorância,
libertam o sofrimento,
validam a escolha.

dedos roçam o sentir do saber.
e a água orlada dos olhos,
veste-se de alegria, 
rola de alívio,
estremece grata e livre
adornada de compaixão.

 




28 fevereiro 2012

elo eterno

nos éons da matriz
reverbera este elo,
laço multidimensional,
que se une através de camadas de tempo
e névoas de memória.

toque que acorda o sentir
e desperta a alma,
em meia palavra
ou meio sorriso,
nu de máscaras,
para quem vê a essência.
elo de mel,
sedoso, aromático,
baunilhado,
livre dos preconceitos
e das ideias pobres
de quem se alcança apenas a si mesmo.

eterno o reconhecimento,
veludo do espírito,
que suave afaga
a leveza revelada
de um amor,
só amor,
com sentido.
 

14 fevereiro 2012

aurora

 doce semente alada,
limiar de um sonho que repousa,
imune à intempérie dos ciclos,
no silêncio tece a palavra,
vertigem, rodopia na suave vitória,
como nuvem que se enrola no vento

sopro,
divino,
liberto ao ar,
gérmen do som articulado,
edificador de dimensões,
liberta a luz,
que inspira o despertar,
génese codificada
da Vida, do Amor
que rejubila
em manifestar-se

seja qual for o Tempo
a promessa mantém-se
e a esperança renova-se
no delicado brilho da aurora

02 fevereiro 2012

ser com som

  toco a serenidade
do momento,
instante em que cedo a mim mesma,
e me reconheço no rosto,
traço de expressão,
de todos os espelhos
em que tenho o privilégio
de ver reflectida

faz jus
à minha melodia,
timbre do meu ser,
que se molda em novos acordes
sempre que ressoa
no contacto de outra luz,
outra pele

vibra esta corda interna,
empática com uma outra música interior,
e envolve-se no conhecer
de um novo som
que acresce,
expande,
ilumina sombras violáceas,
de fogo por brilhar,
em chamas catárticas

e o frémito 
que se repercute
na entoação única do meu ser
renova-se
a cada célula que nasce
e que recorda a vibração,
memória síntese,
que emite o tom
de quem sou

30 janeiro 2012

eternidade

 vida.
palavra com som dentro,
na qual refugiamos esperanças,
emaranhamos temores,
dissolvemos soluções.
que faríamos da vida
se os seus dias 
não tivessem tempo?
que faríamos da geometria do ser
sem contarmos segundos,
e guardarmos memórias?

morte.
palavra com medo dentro.
que seríamos nós sem ela?
o que pode ser a morte, 
senão outra vida?
faria sentido a eternidade?
se soubesse hoje que sou imortal,
que sou eterna,
que já não mais a morte me assombra...
que faria?
haveria esta vontade,
esta paixão em vivenciar,
em deglutir experiências?

haveria tempo...
sem urgência.
e se sou já perene,
para quê a pressa?
já estou onde queria chegar.

20 janeiro 2012

flâneur

 em modo de 'flâneur'
sonho com os pés
nos degraus aleatórios
de nome Lisboa

e linhas do horizonte
deitam-se verticais,
trazendo o Céu e a Terra 
num Tempo único,
em que este Lugar cristaliza
a luz morna e viva.

e é no sabor do sal
que inspiro,
nesse brilho que marulha,
nesse canto suave, de vento fraco,
que a inspiração me engole,
devolvendo sons 
às palavras implumes,
que saboreio e verto,
no cálice límpido
do meu interior.

16 janeiro 2012

ubique

 sou ubíqua.
cruzam-se tantos universos na minha mente,
quantos na realidade do meu poder manifesto.

e a surpresa pode surgir,
quando num sonho me reencontro com outros eus,
que procuram...
que procuram como eu,
saberem quem são afinal,
nas linhas cruzadas dessas existências multiplicadas

e são estes momentos de espelho -
Alice perdida no reflexo -
que despertam constelações de memórias,
prontas para se dissiparem,
no suspiro do reconhecimento.

sou ubíqua e presente,
e como as gotas de orvalho,
que condensam o Tempo,
e estou hoje, agora, aqui,
quando falo,
para ti.

02 janeiro 2012

haram

delicado caminho,
suave luz dourada,
que recuso agora em inspirar

é que no tempo se perdeu a história,
nas cordas da vida 
desgastada

peregrino na solitude de quem sabe
que largar o passado é frutuoso,
e apenas na fé me seguro
para co-criar a matriz
desta prometida ventura

haram,
porta do céu


23 dezembro 2011

todos os dias

 todos os dias
a promessa instala-se no núcleo vibrante
de cada célula do meu corpo.

todos os dias
a oportunidade revela-se, 
vestida de dor ou de prazer,
contendo a certeza de crescimento.

todos os dias
a melodia do Cosmos desperta
o melhor que há em mim,
para verter em carinho, suave e velado,
a minha bênção sobre o Mundo.

todos os dias,
contém o milagre de poder ser outra,
de poder reinventar-me, 
criar de raiz e Ser plena.

todos os dias,
dissolvo na água a memória,
e polarizo ponteiros virtuosos
para o agora.

todos os dias,
sinto na ausência, a presença,
deliberadamente indelével

todos os dias
sou o fogo que arde sem se ver,
que alimenta de entusiasmo
a Vida manifesta, 
neste meu canto de existência.

todos os dias,
me despeço de quem fui,
sem medos, apegos ou pressões,
porque ouso, na modéstia,
abrir um universo,
no meu coração.