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09 dezembro 2016

Transformação | Subtileza do Espírito que conquista a densidade da mente


Fazer das tripas, Coração.
Transmutar o veneno em Mel.
Libertar a Luz oculta na sombra.
Esperança!

Abertura | Intenção franca de impregnar-se de Vida


Berlindes cintilantes brilham como esferas de luz que inspiram a prosseguir caminho, sempre que nos lançamos na abertura do nosso coração. De coração aberto a Vida toma-nos e impregna cada célula, inspirando sonhos e expirando manifestação. Universos inteiros eclodem da franca intenção de nos entregarmos a Viver.
Hora de partida. Hora de chegada. No Aqui, e no Agora. Assim simples.

08 novembro 2015

celebrar o adeus

As mãos torcem-se
ecoando os nós do estômago
profecias do coração...
Lágrimas que ardem
dissolvem-se em cinzas
Prazeres efémeros
mares de paixão
perdas melodiosas...

Hino nobre
de tristezas honradas
Cantos de luto
contos de abandono
Casa vazia
de ontens habitada
Gaiola de ilusão
forjada em palavras de rejeição
Dores dóceis
que se saboreiam no Tempo
Medos acordados
suavemente embalados,
mimados

Oiço essas vozes do passado,
Vôos de fénix
revisitados,
e sinto a gratidão
por me lembrarem
de como construiram
do desalento,
a estrutura dourada
da minha história.

Da Paixão
conheço as linhas
que traçamos juntos
Em beijos, abraços
afagos

Do Amor
sinto este chumbo
que se torna ouro,
esta lava incandescente
que se sublima em rosas,
estas dores
que revelam docemente a Luz.


04 fevereiro 2015

sobre os corações de pássaro

Quando falas é inevitável sentir a dor do teu coração. Calor e frio. Proximidade e distância, em luta constante. O que mostras e o que escondes.

Quando te oiço, sinto essa tua voz de criança que perdeu o caminho de volta para casa, que se perdeu na floresta e que procura agora uma pista, uma luz, uma esperança.

Somos todos corações de pássaros. Pequenos, frágeis, leves. Fáceis de magoar, fáceis de partir. Fáceis também de regenerar quando assumimos a coragem de voltar a voar.

Coração frágil, partido e abandonado, encontra coração frágil, partido e abandonado... Corpos de dor que se cruzam, para que no reconhecimento possam produzir a cura do amor. Contudo, às vezes a dor vence, ou o medo, ou a vertigem do desconhecido; e o amor que podia ser amor, passa a pena de pássaro que se solta, que voa e liberta-se, para deixar espaço a outro amor(?).

Quando olhas, sinto a beleza de quem vê o mundo todos os dias pela primeira vez; e depois pestaneja para se lembrar da dor de viver, e se esquece desse olhar doce e ingénuo que permite acreditar na magia da Vida; na magia do viver.

Somos todos corações de pássaros. Britas plumadas. Pedras aladas, asas que insistem em bater para longe da sua própria solidão.

Quando sentes, quando te permites sentir, fechas logo a seguir essa tua dimensão do amor. O amor que não é amor, dói. O amor que é amor desperta. E é tão fácil confundir os dois.

Somos todos corações de pássaros azuis, nascidos do meigo véu da Vida, prontos para acreditar no fulgor do Amor.

17 agosto 2014

partilha


São pequenas as grandes coisas que se aprendem quando se partilha.
Há encontros fenomenais connosco mesmos, quando vimos expandidos os nossos horizontes com aquilo que os outros fazem com aquilo a que chamamos nosso. Há delicadas formas, universos que se revelam, subtis diferenças que surpreendam, e que deixam essa marca de espanto e de crescimento na paisagem emocional.
Partilhar é somar. É acrescer qualidade ao que se tem porque se ganha um plural em dimensão e saber. 
Estou grata pelas pequenas, doces e indeléveis partilhas com queme  honram aqueles que cruzam o meu caminho. 
O espaço fica mais rico. 
O caminho mais lúcido. 
O coração mais pleno!

21 abril 2014

beleza

beleza
fulgor da Alma que resplandece no Corpo

09 abril 2014

cada passo



Rotina é uma palavra que gera para muitos uma sensação de monotonia, insipidez, sensaboria. E contudo a rotina é um factor de estrutura. A nossa energia fica mais focada, segue um ritmo, um balanço que gera harmonia interna. Há que saber criar a rotina, pois nela devemos incluir tanto de planeamento e realização, quanto de sonho e celebração, para seja manifestamente um factor saudável na vida.

O Outono traz a energia da depuração, da limpeza que nos prepara para trabalho mais profundo, mais desperto, mais consciente. Qualquer trabalho é colheita, de uma semente visionária, de uma meta estabelecida, de um percurso traçado. E traçar esse rumo, em direção ao sucesso – seja qualquer for a nossa definição de sucesso – implica uma mente limpa e um corpo são. O trabalho flui mais suavemente a partir de um estado relaxado e saudável do corpo e da mente. Urge então preparar o corpo e a mente para este mergulho interno, no trabalho, na entrega a um propósito, deixando contudo sempre espaço para o inesperado, para o mistério que é a própria Vida. 

Cada passo no caminho é importante por si só.

sobre a cura



Com o sol no pino, os ideais e as esperanças erguem-se para nos lembrarmos que o caminho que percorremos a nós pertence. Podemos procurar inspiração e a sabedoria nos ‘Mestres’ que vamos encontrando na vida, contudo todas as ideias e filosofias ‘exteriores’ que vamos integrando na nossa forma de estar e de ser têm o propósito de nos fazer despertar o ‘Mestre’ interno, a Voz única do nosso coração. 

Da mesma forma, nos procedimentos terapêuticos, podemos colocar a intenção de ajudar um paciente no seu caminho de cura, contudo devemos manter presente que o indivíduo interfere de forma perentória no seu próprio processo de regeneração, dependendo o mesmo mais da sua vontade e crença, do que do tratamento empregue. O médico ou terapeuta guiam o paciente na despertar da sua auto-cura, fornecendo ferramentas que o estimulam a descobrir o funcionamento profundo do seu corpo. Neste processo agem como meios de activação da consciência da inteligência do corpo. A verdadeira responsabilidade da ‘cura’ recai no paciente, dependendo da sua receptividade, da sua vontade de reabilitar-se, da sua fé na possibilidade profunda da reconquista da condição de saúde, da sua aceitação da cura. 

A nossa unicidade transforma o nosso processo de auto-conhecimento e auto-cura também únicos.

celebrar...



A comunidade tem os seus alicerces em rituais, em momentos de pausa, que precisamos de marcar na nossa memória, congelar fragmentos de felicidade, para que mais tarde, esses instantes nos devolvam o sentido e a validade do percurso que escolhemos.

A celebração fez sempre parte da vida social de um povo. Contudo a Sociedade tem-nos absorvido nas contingências da vida quotidiana, fazendo-nos olvidar que celebrar, tanto quanto trabalhar é uma ‘obrigação’ diária. Celebrar cada pequena vitória nas nossas vidas atribuladas, permite-nos manter presente o valor de cada etapa alcançada – ainda que aparentemente pequena – na delineação do nosso sentido de vida.

Os rituais de celebração são importantes porque validam a nossa passagem na Terra, e fortalecem-nos nos passos que temos ainda de dar no encalce da felicidade pessoal.

cour age



Temos o privilégio de estarmos embarcados nesta nave chamada Terra. No meio do caos e da adversidade a coragem de enfrentarmos o mundo, mas sobretudo de nos enfrentarmos a nós mesmos deve prevalecer. É nos confins do nosso interior que reside o móbil e o segredo para a revelação do nosso potencial criativo. Pertencemos a uma pequena percentagem da humanidade que vive na graça de ter água, luz, gás, estradas, o que comer, e uma estrutura social aceitável. Somos responsáveis pela história que o nosso dia escreve todos os dias, e podemos – felizmente! – escolher a forma como vamos enfrentar cada desafio, incompreensão ou crise aparente. Porque o problema manifesta-se na vida como produto dos anseios internos; a crise nasce da escolha de darmos forma e peso à parte de nós que menos interessa. Contudo se é uma escolha, se depende de nós, porque continuamos a escolher esta via mais densa? 

Hoje está presente a hipótese de escolhermos. Podemos agora, nesta encruzilhada, optar pela loucura, pelo atrevimento de sermos ousados, e efectivamente optarmos por sermos felizes. Começa no primeiro sorriso que damos pela manhã – provavelmente a nós próprios – e passa pela boa disposição com que resolvemos acolher cada desafio, encontrando e enfatizando o recanto da alma de onde brota o alento e a coragem para aceitar e promover tudo o que é belo, e porém efémero na nossa vida. Da capacidade de ouvirmos um ‘não’, da firmeza na receção de uma crítica, nasce a aceitação de sermos livres para sermos quem somos, e a permissão de sermos a inspiração para aqueles que nos rodeiam.

A coragem = coração em ação, é mais doce e paciente, do que afoita e temerária. 

Mobiliza-nos a vivermos realmente a vida, de forma inocente e espontânea, fiel à demanda do nosso interior.

Propõe-se-nos tempos de evolução e mudança, em que nos cabe aceitar as dores de crescimento como afortunados sintomas do processo.

20 fevereiro 2014

casa dos espíritos



Escrevo em homenagem a essa casa dos espíritos que habitamos. Chamamos-lhe corpo, receptáculo, veículo divino.. abarca sonhos e pesadelos, céus estrelados e tempestades. É uma casa de sombras, de memórias, de paisagens emocionais, que vertemos em sorriso ou em lágrimas, mas que guarda e esconde muito mais do que revela.

Os nossos medos decoram as suas paredes, nas molduras vazias das razões que os alimentam. Esperanças e fantasias velam as janelas que filtram a luz, e modelam as emoções. Vagueiam nela hologramas de seres amados. Entes ancestrais, fantasmas de família, espectros de amados que perdemos, ou que vivos nos assombram.
E o medo maior é de quem ouse visitar esse lugar de escombros e tristeza e ouse enchê-lo de alegria e amor. Medo de revelar o caminho por percorrer ou o rosto por lavar. 
O que aconteceria se ousássemos abrir a porta e deixar o vento varrer a poeira das quimeras que pairam?
Ou o Sol entrar e inflamar a densidade, iluminar sonhos, dissolver na luz, apegos?
Vivemos numa casa estaganada. Prisão de contos felizes e de histórias de assombrar, de filmes mentais que passamos em contínuo e aos quais nos apegamos pela aparente segurança do que são, e pelo medo de descobrirmos o que somos para além deles.
Somos vizinhos em casas de espiritos, e gostamos pouco de receber visitas. Ficamos em alerta quando os loucos da vida e do coração esquecem que existem muralhas, sinais de proibido, e delicadamente abrem a porta desse lugar.

09 julho 2013

no corpo


Pouso uma mão na outra. A sensação desperta a memória. Os corpos contam histórias. Os corpos contam sonhos vividos e sonhos perdidos nas suas sinuosas curvas. Piso com cuidado, de pés descalços, o solo quente e macio do meu templo interno. E vozes sopradas de milhões de moléculas, células cantoras, em mel vertem sons... composições sagradas, textos de luz, escritos nas suas paredes ainda por desvendar. 
Acordo para dentro. Acordo imersa nesse mundo que parecendo um sonho, é mais real que qualquer realidade. E o fluir de aceitar sentir toma-me os passos, anima-me de coragem para caminhar na orla deste universo, que é o meu. Um abismo de Ser, que onde começa, acaba, sem frangilidade ou apego. É o corpo que me acolhe em simplicidade, honrado com a Presença do que Sou. Recebe-me grato, contendo-me em doçura, candura, serenidade. E quando o coração é essa calma que aceita, é paz e graça, a retribuição deste voto de confiança mútua.

03 julho 2013

enquanto o Sol brilha...


É no brilho do Sol que os ideais e as esperanças se erguem para nos lembrarmos que o caminho que percorremos a nós pertence. Podemos procurar inspiração e a sabedoria nos ‘Mestres’ que vamos encontrando na vida, contudo todas as ideias e filosofias ‘exteriores’ que vamos integrando na nossa forma de estar e de ser têm o propósito de nos fazer despertar o ‘Mestre’ interno, a Voz única do nosso coração.

E essa melodia única é desperta apenas no silêncio, na paz conquistada às memórias, conquistada ao terreno profundo da nossa história energética, gravada a letras douradas no nosso ADN. O caminho desse despertar leva-nos a descobrir quão somos verdadeiramente responsáveis pela nossa alegria, pelos sorrisos tanto quanto por todas as quimeras que alimentámos. É uma descoberta que cura, que sana, que regenera, que activa conscientemente a inteligência dos nossos corpos, tornando-os aptos a receber e aceitar o privilégio que é estarmos vivos.


29 junho 2013

no jardim

hoje fiz praia num banco de jardim
e o meu mar foi o céu azul profundo
onde mergulhei os meus sonhos
na brisa quente, ondulante, de verdes folhas de plátano

hoje fiz praia num banco de jardim
e o sol repousou no meu peito
ao som de blues de casa alheia
com o corpo entregue à relva
e o aroma estival no coração

29 maio 2013

celebramos


Há linhas do horizonte que nos devolvem a nós mesmos. Há feixes verticais de visão e demanda que nos alinham com a intenção interna.

No meio de trabalhos, palestras, partilhas, confusões e resoluções, páginas de um livro, palavras escritas em cantos de jornal, surge enfim a promessa de um descanso, a proposta de uma celebração.

A vida, a comunidade tem os seus alicerces em rituais, em momentos de pausa, momentos delicados que imprimimos na nossa memória, fragmentos de felicidade que congelamos, para que mais tarde, esses instantes nos devolvam o sentido e a validade do percurso que escolhemos.

A celebração fez sempre parte da vida social de um povo. Cantar, dançar, uivar ao vento, eleger a Lua e as Estrelas como testemunhas, banharmo-nos em águas abençoadas. Contudo a Sociedade tem-nos absorvido nas contingências da vida quotidiana, fazendo-nos olvidar que celebrar, tanto quanto trabalhar é uma ‘obrigação’ diária. Celebrar cada pequena vitória nas nossas vidas atribuladas, permite-nos manter presente o valor de cada etapa alcançada – ainda que aparentemente pequena – na delineação do nosso sentido de vida. Os rituais de celebração são importantes porque validam a nossa passagem na Terra, e fortalecem-nos, encorajam-nos nos passos que temos ainda de dar no encalce da felicidade pessoal.

Celebremos hoje, tanto quanto ontem, e provavelmente amanhã. Queremos que tanto a Vida como a Morte nos encontrem na curva ascendente da felicidade!